jan
10
2014

A Origem Nagô – Yorubá

Olodumare, Senhor Supremo dos Nossos Destinos, também conhecido como Olorum, Senhor do Orun, criou o primeiro dos Orixás, Oxalá e deu-lhe a incumbência de criar o mundo, entregando-lhe o saco da criação. No momento da criação já haviam outros Orixás habitando o Orun, Oxalá foi aconselhado por Orumilá a oferendar o Orixá Exu antes de empenhar sua tarefa.

Oxalá olvidou o conselho e partiu sem fazer suas oferendas, no que Exu usou de seus poderes criando em Oxalá muita sede. Chegando ao local onde o mundo seria criado, encontrou uma palmeira, com seu cajado, opaxorô, fez um furo na palmeira e bebeu seu vinho. Bebeu, bebeu, bebeu e logo depois adormeceu ao lado da palmeira.

Exu lhe tomou o saco da criação e entregou ao Orixá Odudua, que com a concessão de Olorum e as devidas oferendas, fez a tarefa que antes seria de Oxalá. Ao acordar Oxalá vê que o mundo já está criado e se dirige a Olorum para expor o ocorrido ao que o Senhor do Orun lhe dá uma nova incumbência, criar os homens. Oxalá toma o barro e com ele modela o homem e a mulher, porém não tem vida, assim chama Olorum para expor a questão, ao que este se aproxima e sopra o sopro da vida animando assim os homens e mulheres modelados por Oxalá.

Um mito é uma alegoria, uma metáfora que traz um simbolismo da vida e da criação. O mito oculta valores e orientações para a vida em sociedade e o entendimento da relação com o sagrado. Aqui neste mito da criação, um dos mais conhecidos da cultura Nagô–Yorubá, reinterpretado, encontramos muitos elementos para o entendimento e relacionamento com este universo mitológico dos Orixás.

Olodumare, Senhor Supremo dos Nossos Destinos, também conhecido como Olorum, Senhor do Orun (Céu ou a realidade que transcende a matéria), é Deus para a cultura Nagô.

Este mito nos lembra que até Oxalá deve oferendar Exu, pois nada se faz sem antes oferendar o dono da encruzilhada. Exu reina na encruzilhada entre o mundo material (Ayê) e o mundo mítico-espiritual (Orun), ao passar por Exu, ao fazer o trânsito entre realidades é necessário oferendá-lo, o que é uma questão de respeito e devoção.

Esta questão também nos lembra de que não devemos empreender tarefa sozinhos, devemos contar com amparo e ajuda dos outros, devemos ser humildes e ouvir os conselhos. Claro que não cremos que Oxalá seja arrogante ou que se desentenda com outros Orixás, mas em mitologia as questões e situações, tão humanas são colocadas apenas para ensinar e criar uma forma de transmissão oral de fácil assimilação.

Veja que Oxalá criou o homem, mas, apenas Deus, Olorum, pode lhe dar a vida ou o sopro da vida. Quando Oxalá procura Olorum ele é perdoado e absorve este mistério de Olorum, logo passa a ser o Orixá do perdão. Há também uma observação no que diz respeito aos excessos que nos fazem deixar de lado as responsabilidades e compromissos. Oxalá passa a não receber nada que seja alcoólico, pelo contrário, Oxalá passa a representar a sobriedade, a calma e a Paz.

Orumilá representa o Oráculo, aquele que conhece presente, passado e futuro, logo representa a onisciência de Deus prevendo o acontecimento e aconselhando seu filho mais velho, pois muitas vezes o mais velho deve procurar o mais novo.

As interpretações de um mito não têm fim, cada observador terá uma visão diferente do mito.

 √ POR ALEXANDRE CUMINO

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