set
8
2013

Os Ciclos e a Evolução

A vida é repleta de sinais claros sobre como devemos nos portar e agir para evoluir. Mas vejo pessoas questionando qual o seu verdadeiro caminho, o que devem fazer para cumprir sua missão, aquilo que foi acordado no astral. E a resposta sempre é muito simples: VIVER de forma natural e tranqüila, compreendendo quais são nossas reais conquistas, já que somos eternos.

Geralmente, quando caminhamos rumo a nossa evolução estamos tranqüilos e conscientes de que nunca estamos sós. Podemos ter muitos afazeres, mas os realizamos alegre e calmamente. Alguns ‘adultos’ perderam o prazer de viver, pois acreditam que somente sofrendo estão trabalhando. Acham que a maturidade é penosa, que todas as crenças e aprendizados de sua infância e juventude eram ilusões inúteis. Estão em desentendimento com eles mesmos.

A evolução é como uma escada, cada degrau apóia o próximo. Como chegar ao Céu sem valorizar o mais simples degrau próximo a Terra? Impossível. Esta estrutura é interna ao nosso Ser. Em cada fase de nossa vida aprendemos o que é necessário para fortificar nossos degraus, solidificando assim nossa escada. O que aconteceria se a cada nova fase nós destruíssemos os degraus anteriores?

O que passamos (em uma só experiência) neste plano material: encarnamos, nascemos, crescemos, amadurecemos, envelhecemos e desencarnamos, este é o ciclo mais utilizado. Vamos falar sobre cada fase natural (bem resumido):

• Encarnar: nosso espírito é preparado para acoplar em um corpo físico, que nos foi gerado por um pai e uma mãe, percebemos o que nos rodeia, mas como nossa consciência foi nublada não compreendemos, apenas absorvemos;

• Nascer: após algum tempo, quando já estamos devidamente harmonizados com nosso novo corpo, nascemos. Muitas sensações, contato com o mundo denso e nossa semi-consciência vai adaptando nossos sentidos, buscando interpretar o que nos cerca. Somos instintivos;

• Crescer: num primeiro momento somente conseguimos assimilar aquilo que é concreto, que é real aos cinco sentidos básicos (tato, olfato, paladar, audição e visão), ainda estamos aprendendo a lidar com nosso corpo. Temos uma percepção de quais sensações nos agradam e quais não. Esta dualidade vai aprimorando nossos sentimentos. Somos intuitivos. Em seguida passamos a perceber as emoções; descobrimos que entre os extremos existem nuances (ex.: entre o branco e o preto, existem muitos tons de cinza; entre o grande e o pequeno…; entre o doce e o amargo…, etc.). Nos tornamos sensitivos, e começamos a perceber o sentimento daqueles que nos cercam, conseguimos interagir socialmente de forma mais clara, e com muita ingenuidade. Até aqui somos guiados pelos, teoricamente, mais experientes;

• Amadurecer: trilhamos nossos caminhos, tentando harmonizar os nossos sentidos com os daqueles que nos cercam. Não somos mais totalmente guiados, e ter que descobrir o próprio caminho gera grandes incertezas: “qual a melhor decisão?”, “será que estou correto?”. Quando alguém não compreende nossas dúvidas, ficamos irritados, e até revoltados. Mas a vida continua e vamos aprendendo a lidar com as decisões. Nos fortificamos. Chegamos a um ponto em que acreditamos poder decidir pelos outros, mas isto faz parte de nossa evolução, ainda não sabemos tudo o que precisamos. A vida bem ‘vivida’ nos proporcionará. Este é o momento de ter a experiência de ser pai ou mãe e aprender a “amar ao próximo como a si mesmo”, respeitando o livre arbítrio do outro, função primordial da criação. E vem a flexibilidade;

• Envelhecer: a memória revisita nossos caminhos, nossas decisões e passamos a compreender melhor nossas trajetórias. Nossas consciências ganham um grande impulso. Isto ocorre quando continuamos percebendo nosso instinto, intuição, sentimento e força, com flexibilidade e respeito por tudo e todos que nos cercam. Atingindo a sabedoria, que ‘somente’ é: conhecer de forma equilibrada e ordenada, com amor e respeito, o que fazer para gerar no outro aquilo que já foi gerado em si mesmo;

• Desencarnar: ao vivenciar tudo o que é necessário para o nosso aprimoramento (alguns sequer precisam passar por todo o ciclo), desencarnamos e voltamos ao plano espiritual, levando conosco nossas verdadeiras conquistas, nossa escada com mais alguns sólidos degraus.

Reencarnar é uma forma de nossa consciência revisitar nossas fases. Assim temos a oportunidade de, em poucos anos, passar por experiências que poderiam levar séculos ou milênios no astral. A vida do encarnado ‘imita’ as fases da vida espiritual (nascer, crescer, amadurecer, etc.). Pois um dia fomos gerados por nossos Pais e Mães Orixás Ancestrais, e evoluímos passando pelos planos: fatoral, essencial, elemental, dual, encantado, até chegar aqui no plano natural e no futuro atingir o celestial.

O quando chegaremos lá não é importante e vai depender de nossas realizações. O senso comum costuma dizer que a idade faz a transição de fase. Isto é um erro grave. Não é a quantidade de tempo que passamos em cada fase que nos diz quando podemos ir para a próxima, mas a qualidade daquilo que realizamos e aprendemos.

Durante a vida podemos nos traumatizar, nos amarrar em determinada fase, impedindo o progresso natural para a próxima. O que demonstra uma falha na construção de um degrau. Assim nas giras de Umbanda apresentam-se entidades que trazem de forma potencializada, a consciência e a energia de cada fase de nossa evolução. E se nos permitirmos interagir com estas entidades, os laços que nos impedem de viver plenamente serão desatados. De acordo com nossos merecimentos e nossas necessidades. Sem milagres.

Por exemplo: as crianças que se apresentam na Umbanda, são espíritos Encantados (5º Plano da Vida), ou que no máximo, encarnaram duas vezes, mas nunca atingiram o amadurecimento. Estes espíritos irradiam uma energia muito pura, trazem a verdadeira ingenuidade, desagregam os negativismos daqueles que ‘brincam’ com eles. Liberando centros energéticos nos corpos físicos e espirituais, permitindo a evolução sustentada.

Tudo tem um real motivo. Ao seguir nossa Paz interior, observando o que nos rodeia, compreendemos que nada é acaso. Valorizamos todos os detalhes. Priorizamos a forma com que trilhamos o caminho, como construímos nossa escada. Com prazer elevamos nossas conquistas e auxiliamos outros a subirem, nos tornando verdadeiros instrumentos de Deus.

√ POR ALEXANDRE N. GIMENEZ

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Sobre o autor: Umbanda No Peito

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