jan
3
2014

Um Diálogo Sobre a Vaidade

– Salve tu cabra!
– Salve vós Exu!
– Cabra, escreve umas coisas aí.
– Pode falar.
– Existe algo no ser humano que gera muita preocupação a todos nós e que mais complica a vida de vocês encarnados.
– Do que vós está falando?
– Da imperceptível sombra da vaidade.
– Ah sim, conheço…
– Então, vim aqui dissertar sobre isso, e mais me preocupa é o coração dos que se dizem companheiros de caminhada e mais fazem é piorar situações delicadas no relacionamento inter-pessoal e pouco contribuem para o auxilio daqueles que são parte de um conjunto.
– Sei…
– Como disse, a vaidade é uma sombra imperceptível que assola cedo ou tarde a vida de todos neste plano e ela, a suposta vaidade, pode ser em verdade a extravasão de uma série de necessidades do individuo como carências, traumas, etc. Existem milhares de facetas desta sombra e garanto, ninguém está livre dela, bem dizendo, aquele que se diz não vaidoso, já o é, pois afirma isto se envaidecendo de uma suposta nobre e mentirosa humildade. Há há há. Tolos.
– Senhor, acho que entendi, mas está um tanto complicado…
– Já explico cabra. Digo que ninguém está apto a apontar ninguém. E aquele que enxerga um “defeito” no outro a ponto de se incomodar, deveria entender que está vendo no outro o seu espelho, reconhecendo nele o que tanto incomoda em si mesmo e por incapacidade de se auto superar, apedreja o próximo, a fim de anular aquilo que em si o apavora. Complicou?
– (risos) nossa, parece que estou conversando com um analista.
– Há há há. Se estiver complicando é sinal que deve ler e reler estas palavras até que fundo toque sua alma.
– Farei isto Senhor.
– Então continuemos. Coloco a exemplo um grupo, ou melhor, um terreiro. Onde uma comunidade divide um mesmo espaço, conseguinte o mesmo ideal e propósito interno. Sendo assim, para todo grupo o que deve existir é respeito entre si e, respeito não é sorrisos falsos ou tapinhas nas costas. Respeito é algo que poucos sabem e que a falta do mesmo é que promove tanta discórdia e confusões entre os indivíduos.
– Realmente a noção de companheirismo e respeito é diferente de um para outro.
– Certo. Um fator relevante é a atração de afinidades que varia de um para outro dentro de uma mesma comunidade. Até aí tudo certo, portanto, não deve esquecer que aquele que não inspira grande afinidade a você não pode ser descartado do convívio ou dar menos importância, pois conviver com aqueles que só o agrada não trás mérito algum no processo evolutivo do desenvolvimento da tolerância, respeito ás diferenças e união de propósitos que deve transcender o umbigo.
– Certo Exu.
– Desta forma, pergunto, sabes reconhecer a vaidade?
– Penso que sim.
– Pensa?
– É, entendo a vaidade na extravasão do ego.
– Ego cabra? Há há há.
– Qual a graça?
– Vocês são tolos, então reconhece a vaidade no ego extravasado? Não me faça rir cabra. Como pode falar de Ego? Então vocês são assim, querem o tempo todo sistematizar o ser humano, espécie esta das mais complexas criações do Criador. Sistematizar é criar estes parâmetros, ou seja, vaidoso é aquele que age assim, assim, assim. Humilde é aquele que se comporta assim, assim, assim. Não, não. Este não é e nunca foi um bom caminho, pois esquecem que cada qual é um ser único, e você tem toda uma estrutura própria, diferente da minha que é diferente dos demais.
– Entendo, então como fica? Se não podemos sistematizar, como sanar problemáticas? Parece que o Senhor como um bom Exu está querendo me confundir.
– Nada disso cabra, não venho aqui confundir, ainda que seja nossa especialidade. Há há há.
– Então esclareça senhor.
– É simples. Quero que fique entendido que antes de qualquer apontamento dentro de uma comunidade é fundamental a análise de si mesmo. E o que está sendo apontado deve passar pelo crivo do respeito e do amor. Percebo que quando isto acontece o individuo apontado não vira motivo de imitações, chacotas ou piadas, estes comportamentos nada mais apresenta do que a podridão do responsável pelo dedo que aponta. O simples deve contribuir para auxiliar aquele que se excede ou mesmo erra sem que se aperceba.
– Errar sem perceber? Mesmo onde existam esclarecimentos?
– Sim, ainda bem que existe uns e outros que não prestam a devida atenção nos ensinamentos, para provocar no orientador a necessidade de renovar suas ferramentas a fim de envolver a atenção dos seus orientados.
– (risos) estou entendendo.
– Cabra todos erram, todos deixam a desejar, será que é tão complicado entender isso? O que deve ser avaliado é o resultado final de um trabalho, isto é realmente importante, e numa corrente, um deve complementar na necessidade e franqueza do irmão ao lado, por isso cada qual é diferente do outro.
– Este é o ideal né Exu?
– Mais que isso, deve ser uma realidade, caso contrário o caos se instalada.
– Sei…
– Assim, não é aceitável apontamentos atrás de apontamentos, crivados pela vontade de ver o outro prejudicado. Não é bem visto “irmãos” que ridicularizam seus “irmãos”, cadê o companheirismo? Cadê o amor? Afinal, onde está a tolerância das diferenças? Se você pensa que não precisa conviver com as diferenças então é chegado o momento de se isolar no cume do monte mais alto que possa encontrar e lá sozinho buscar sua transcendência… há há há.
– Que ironia Exu!
– Irônico são vocês, bobocas que só perdem tempo, olham demasiadamente para o lado e esquece de si próprio. Estão tão preocupados com o outro sem antes se garantir no trabalho a ser executado. Não digo que olhos devem ficar cerrados, no entanto, abra-os com amor.
– Certo Exu, então o que fazemos quando um companheiro de excede.
– Converse oras.
– E como abordar isto?
– Bem, primeiramente quando se trata de um terreiro o melhor para esta abordagem é o próprio Dirigente, uma vez que a ele é dada a função de guiar os membros.
– Sei…
– Mas antes é preciso que se observe todo um histórico o individuo, sua história, sua educação, seu signo, seu orixá, sua metas etc. Pois o que parece “vaidade” pode ser um excesso de carinho, de contribuição ou porque não, excesso de dedicação.
– Dedicação se excede?
– Oras, é óbvio que sim.
– Passando por este crivo, então é bom que uma franca, amorosa e longa conversa aconteça, com zelo e preservação.
– Parece fácil.
– Mas não é. E aconselho a todos que não fiquem dando ouvido a tantas falácias de outrem. Faça sempre sua própria avaliação e saiba que sua avaliação estará fatalmente ligada a sua limitada compreensão do meio. Sendo assim amplie sua consciência, conhecimento, amor e compaixão ao próximo. Dê as mãos áquele que acredita necessitar de ajuda, aproxime-se dele e sutilmente contribua no auxilio, caso contrário, cale-se e não crie tanta polêmica sobre aquilo que invariavelmente nem te pertence. Todo julgo já é o retrato de auto exaltação. No amor reside a compreensão, ou ao menos a sincera vontade de constantemente ser útil para o melhor de todos.
Assim cabra, deixo meu salve a todos que este texto lê e peço uma nova leitura afim de se encontrar nas entrelinhas ou nas linhas…há há há…e que seu coração entenda que mais vale colaborar, contribuir, somar para que os resultados aconteçam.
Ame-se e ame seu meio com tudo o que ele te oferece.
Nas diferenças encontre suas falhas.
Nas semelhanças se fortaleça no aperfeiçoamento.
Na incompreensão aproveite para se olhar no espelho e ver o quanto pequeno és.
Salve tu cabra e salve eu!
Salve sua força Sr. Exu Tranca Ruas das Sete Encruzilhadas!

√ POR RODRIGO QUEIROZ

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Sobre o autor: Umbanda No Peito

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