ago
15
2014

Umbanda

Sentado observando os preparativos de uma das homenagens, prestei a atenção nas pessoas que chegavam ao evento, notei em alguns semblantes a alegria e a felicidade de estar ali, os cuidados que tinham em colocar a guia, a ansiedade para o início dos trabalhos. Refleti que cada qual dentro daquele espaço tinha um motivo para ter escolhido a Umbanda com religião. Talvez muitos a tivessem a escolhido para aliviar a dor, outros apenas por curiosidade, muitos pelo amor, outros pelo conhecimento, mas cada qual com sua história.

Fiquei vagando em meus pensamentos por alguns momentos e acabei desperto pelo som do alto-falante anunciando o inicio da comemoração. Nas coincidências da vida, se é que elas existem, encontrei algumas respostas para as causas que nos levam à religião. A Regiane (minha esposa) pediu para que eu lesse um livro que ela havia acabado de ler e que era muito interessante. Segui o seu conselho e comecei a ler, o livro conta a trajetória de um executivo que busca conhecer as diversas formas de pensamentos de grandes líderes pelo mundo, dos mais diversos seguimentos. Nesta leitura, encontrei um pensamento de um líder chamado Akio Morita, ex-presidente da Sony que dizia o seguinte:

“Nós não convocamos vocês. Isso aqui não é o exército. Vocês escolheram a Sony por vontade própria …. Por isso não quero, daqui a 20 ou 30 anos, quando deixarem a empresa, que vocês se arrependam de terem passado tanto tempo aqui. Isso seria uma tragédia para mim. Assim, o mais importante a fazer nos próximos meses é decidir se podem ou não ser felizes aqui. A felicidade só será alcançada pela ação conjunta de todos.”

Apesar de ser um pensamento empresarial, para mim, ilustra a nossa realidade. Vamos refletir um pouco…

– Primeiro ponto: A Umbanda não convoca ninguém. Nunca vi nestes meus anos como umbandista, ninguém saindo às ruas alistando pessoas para se tornarem umbandista. Vejo pessoas em busca da Umbanda, pelos mais diversos motivos e não a Umbanda buscando pessoas.

– Segundo ponto: Quantos irmãos nossos escolheram a Umbanda por vontade própria. Foram em algum momento da sua vida a um terreiro buscar ajuda, um conselho ou simplesmente curiosidade e quando lá chegaram viram a grandeza e a beleza da nossa religião e com o passar do tempo se encantaram por ela. E

ela na sua simplicidade nos mostra a grandeza do Universo, a força da natureza e ainda nos aproxima de uma grande família que até então nem imaginávamos existir, mas que de certa forma sempre esteve lá a nossa espera e hoje conhecemos como os nossos queridos Guias Espirituais.

– Terceiro ponto: Quantos irmãos conhecemos ou ouvimos falar que trabalharam por longos anos em prol da Umbanda e de uma hora para outra, largam tudo e falam aos quatro cantos que se tornarem umbandistas foi um atraso de vida. Vejo a Umbanda como um caminho para a nossa evolução e não como algo de provação ou de sofrimento, quantos destes irmãos não viram na Umbanda uma penitência? Quantos destes irmãos não viram na Umbanda uma forma de tirar proveito do próximo? Quantos destes irmãos, apenas não se desiludiram com as pessoas que se diziam representantes da Umbanda e com isso abandonaram-na? Sem ao mesmo pensar que a Umbanda é muito além de uma ou duas pessoas. Poderia ficar horas falando sobre os motivos que levam alguns irmãos a abandonarem a religião, mas como nossa memória é curta, esquecemos facilmente dos momentos alegres que temos dentro da religião.

Esquecemos dos conselhos certeiros dos pretos velhos, da bronca devida dos caboclos, da conversa direta de exu. Esquecemos de tudo isso e apenas vivemos o momento, sem olhar para dentro de si mesmo e vermos no que estamos errando.

– Quarto ponto: Espero que todos aqueles que por algum motivo cruzarem o meu caminho, eu possa de alguma forma esclarecer o que é a religião dentro do meu entendimento, mas de uma coisa eu tenho certeza; farei o melhor que eu puder como umbandista, como ser humano e como um irmão que erra e acerta como todo mundo.

– Quinto ponto: Quem antes de se tornar umbandista, não ficou sentado na assistência e depois teve a oportunidade de participar dos trabalhos de desenvolvimento? Será que esta fase não serve para nos mostrar se é isso que realmente queremos para a nossa vida, não é este o momento de decidirmos se seremos felizes ou não. Às vezes nos identificarmos com a religião e não com a casa e por medo, desconhecimento, receio e vergonha de falar o que estamos sentindo, desistimos de tudo.

– Sexto é ultimo ponto: Mudando um pouco a nossa visão, veremos os terreiros como grandes blocos de icebergs, onde na superfície das águas vemos uma pequena parte, pois o seu grande volume esta submerso. Imagine blocos de gelo à deriva, com certeza ocorrerão grandes choques entre eles, mas com o passar do tempo eles serão absorvidos pelo mar.

Assim são os terreiros, na superfície apenas enxergamos a forma, o ritual e a doutrina, isso é o que gera os conflitos, pois cada um vê apenas uma pequena parte, mas esquecemos que o grande volume está na força da humildade dos Pretos Velhos, na alegria dos Baianos, na pureza das Crianças e na simplicidade dos Caboclos e que no fundo todas estas forças serão empregada na ajuda ao próximo, no despertar da fé e por .m serão absorvidas no mar do amor que é a nossa Umbanda querida.

√ POR ANDRÉ SALDANHA

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Sobre o autor: Umbanda No Peito

Umbanda No Peito - Somos uma loja virtual de moda e acessórios 100% umbandistas (www.umbandanopeito.com.br) e surgimos com a intenção em disseminar a religião de Umbanda através de nossos produtos, textos, vídeos. A Umbanda nos faz bem, gostamos de ser e estar na Umbanda porque ela nos completa. Estampar e falar sobre a Umbanda é, ao mesmo tempo, agradecer todas as coisas boas da vida. Saravá Umbanda, Axé !

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